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Fabrício Paiva

Jornalista formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem 23 anos e compreende a escrita como um dos principais instrumentos de combate às desigualdades sociais. Aficionado por futebol e narrativas imprevisíveis. Teve matérias publicadas no Diário do Nordeste, El País e Ponte Jornalismo. Atualmente, é analista de conteúdo da Universidade de Fortaleza (Unifor).

 

Pela GÊNIO EDITORIAL, vai publicar o livro-reportagem Campos de Concentração no Ceará.

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Apesar de ser uma aparente política assistencialista, diferentemente dos campos de concentração de Adolf Hitler, havia coincidências básicas em relação aos dois sistemas: a privação de liberdade, as promessas fraudulentas sobre o funcionamento dos campos e o sistema de alimentação com base na distribuição de rações. Se a morte não foi deliberada e a segregação não foi oficialmente admitida, para justificar a diferença entre Brasil e Alemanha, as entrelinhas da história que será narrada à frente podem ser consideradas um laudo contestatório sobre a versão oficial. A partir disso, a política amadurecida nas duas grandes secas que o estado tinha enfrentado finalmente se consolidava em todo o Ceará, em um claro esforço de evitar novamente os movimentos imigratórios e que os retirantes pudessem ocupar as ruas da Capital. As práticas, no entanto, não aconteceram de forma abrupta e como uma maneira de imposição. Incentivadas constantemente pela própria imprensa, eram construídas verdadeiras narrativas de terror que aconteciam ao longo do estado, como forma de convencer por meio do sentimentalismo.