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Juliana Blasina

Nascida na Porto Alegre dos anos 80, vive em Rio Grande (RS) desde menina. É poeta, bióloga, ativista cultural e mestranda em Letras. Autora da coletânea de poemas 8 horas por dia (Concha, 2017), além da participação em antologias e revistas literárias. Toca uma barbearia com o marido e escreve entre três gatas e um menino.


Pela GÊNIO EDITORIAL, participou das coletâneas Quando falávamos do desejo e outros sentimentos menores e Das coisas que perdemos quando você desistiu.

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Não sei se ele tinha outros planos desde o elevador, o carro, se os fez pagando a conta do bar depois de um beijo esquivado ou se improvisou. Nunca vou saber. O que eu sei vem desse mosaico que tento montar agora. O Leco tirando os meus sapatos. O Leco tirando as minhas calças. O gosto de cigarro da língua dele. O Leco chupando os meus peitos por cima da camisa de algodão. O sono misturado com porre, tesão e enjoo. Lembro de tentar e errar um chute, antes de me virar de bruços e dizer boa noite. O Leco rindo e me puxando das pernas. O atrito do lençol nas minhas coxas. O Leco tentando comer meu rabo e o clichê abusivo sobre a vulnerabilidade do cu de bêbado que me veio à mente.