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Rafael Fortes

Professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem diversos artigos publicados em livros e revistas científicas da área de Comunicação, História e Estudos do Lazer. Publicou os livros Segurança pública, direitos humanos e violência (Multifoco, 2008) e O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura (Apicuri, 2011), entre outros.

 

Pela GÊNIO EDITORIAL, vai publicar uma nova edição do Segurança pública, direitos humanos e violência.

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Além de uma reflexão sobre direitos humanos, democracia, violência e segurança pública, este livro busca, também, chamar a atenção para o papel desempenhado pela mídia gorda em relação a estes temas. Em revistas, jornais, internet e emissoras de rádio e de televisão, programas jornalísticos, especializados em violência ou não, legitimam a matança promovida pelo poder público. Os que morrem costumam ser automaticamente considerados “traficantes” e o fato de uma operação policial deixar mortos é apresentado com frequência como índice de eficiência. O papel central do jornalismo na legitimação das execuções policiais já foi denunciado em 1992 por Caco Barcellos, no livro Rota 66. A prática continua em vigor. Certos repórteres, especialmente no rádio, diariamente enchem a boca para anunciar o número de “elementos” mortos pela polícia, não se furtando a elogiar e cumprimentar, no ar, policiais e comandantes de batalhão pela “eficiência” e pelo “excelente trabalho”. Casos específicos são apresentados como novela ou espetáculo, tendo como resultados práticos a condenação prévia e o linchamento moral dos supostos culpados e, mais importante para os veículos, o aumento da audiência. Tão ou mais grave que o problema do que constitui a pauta é o problema do que não é pauta: casos cotidianos sobre os quais não se lança luz, não se fala, não se mostra a dor dos envolvidos, não se cobra as autoridades. Escola Base, João Hélio, Isabella Nardoni e Daniela Perez são alguns famosos. Há numerosos outros, menos ou nada famosos, mas com trágicas consequências não só para as vítimas, mas também para os condenados por um certo tipo de jornalismo – e, o que é pior, com frequência os papéis se fundem, fazendo com que as vítimas, além de mortas, ainda sejam condenadas pela imprensa.